' A Garota da Porta Vermelha ' Capítulo 4 & 5.


                                    Capítulo Cinco: “As Aparências Enganam”



      Gifs do Capítulo: 



 - FINALMENTE SÁBADO! – Julia chegou à cozinha gritando de felicidade. A Sra. Aguiar e Lua conversavam enquanto tomavam café.
- Ô escandalosa, seu irmão ainda tá dormindo, então fala baixo – Lua fala rindo da cara da amiga.
- Ih, ele chegou ontem à noite e vocês já estão com essa frescura toda por ele? – Julia fazia careta.
- Eu não disse nada! – Sra. Aguiar fala colocando as mãos para cima em sinal de inocência.
- Obrigada Tia, por me deixar sozinha na história! - Lua fazia bico.
- Desculpe Lu, mas eu PRECISO mimar igualmente esses dois, senão tem briga – Sra. Aguiar falava e acariciava os cabelos da filha.
- Isso mesmo mãe! Eu sou ciumenta! – Julia fazia bico.
- Eu também sou ciumento, então pode fazer carinho em mim também mãe – Arthur disse descendo as escadas. Após um “Bom Dia” geral, ele deu um beijo na bochecha da mãe, outro em Julia e quando se aproximou de Lua:
- Oi pirralha – disse acenando.
- É... Oi – Lua gaguejou não entendendo o motivo de Arthur tê-la tratado assim tão friamente, ele parecia ser tão carinhoso.
- O que nós vamos fazer hoje? – Julia pergunta olhando para Lua.
- Nós? Você prometeu à Cath que iria acompanhá-la no encontro dela com o Edward, lembra? – a garota responde rindo da cara de incrédula da garota.
- EU TINHA ESQUECIDO! Ninguém merece isso. Por que eu fui concordar em ser vela nesse encontro heim? – Julia faz drama e apóia a cabeça nas mãos em sinal de desespero.
- Vela? Pelo o que eu ouvi a Catherine dizendo, um tal da Billy vai ser seu acompanhante – Sra. Aguiar entra na conversa, e Arthur apenas olhava as três falando sem parar.
- É mesmo. E eu acho melhor você ir logo, porque nós todos sabemos sobre o teu problema em escolher sapatos, e você precisa ir ajudar a Cath a escolher uma roupa. Qual o problema de vocês? Você e os sapatos e a Catherine com calças - Lua ria das caretas da amiga.
- Minha mãe está de prova que eu não tinha problemas com sapatos até você chegar. Que culpa tenho eu se seus sapatos são apaixonantes? É melhor eu ir escolher um deles logo – Julia diz esquecendo da “tristeza” por ter prometido à amiga que iria ao encontro duplo, e sai correndo para escolher sua roupa, e o sapato, claro.
- Essa minha filha - a Sra. Aguiar riu. - Eu também tenho que ir andando... Fiquei de passar o dia com a Natalie, nós vamos a um SPA. Mas e vocês dois? O que vão fazer? – a Sra. Aguiar ia dizendo enquanto tirava as xícaras de Arthur e Julia, vendo Lua ajudá-la.
- Ah Tia, eu tenho que terminar o trabalho de álgebra II. Tenho sérios problemas com essa matéria – Lua fazia caretas ao falar da matéria que tanto odiava.
- E eu quero matar as saudades da casa, do meu antigo quarto, de ficar sem fazer nada e principalmente de não ter fãs tirando minhas calças – Arthur diz fazendo cara de aterrorizado por lembrar das fãs taradas.
- Compreendo, filho. Eu já estou indo. Lua minha linda, cuide desses dois por mim ta? Avise para a Julia não chegar muito tarde e pra me ligar se precisar. E Arthur, não faça nada que possa assustar ou traumatizar a Lua okay? – a Sra. Aguiar faz cara de brava para o filho.
- Eu mãezinha? Relaxa, eu cuido da nanica – ele falava lançando olhares estranhos para Lua.
- Okay então. Estou indo. Juízo. Não voltarei muito tarde. Amo vocês – a senhora ia dizendo enquanto pegava sua bolsa, e dando um beijo na testa de Arthur que ainda estava sentado, e beijando a bochecha de Lua – TCHAU FILHA – ela gritou e logo depois ouviu Julia devolver-lhe o tchau.

Como sempre Julia saiu atrasada para a casa de Cath, e mais uma vez precisou da ajuda de Lua para escolher o sapato ideal. A amiga, por sua vez, OBRIGOU Julia a usar uma sandália alaranjada que combinava perfeitamente com a minissaia branca com detalhes ferrugem e a blusa bege de Julia.

Arthur ficou a manhã inteira assistindo tv, Lua que estava em seu quarto tentando fazer seu livro de memórias, apenas escutava as gargalhadas do garoto vindas da sala.
- Blanco! – ela ouviu Arthur gritando.
- Oi? – ela fala depois de uns segundos chegando à sala.
- Eu tô com fome, você prefere comida italiana ou McDonald’s? Ah já sei, pra você só pode ser papinha! – ele dizia sem olhar para a garota, sua voz tinha um tom de deboche.
- Arthur, eu não tô te entendendo! O que eu fiz pra você me tratar assim? – sua vontade era gritar com ele, chorar de raiva. Mas essa não era a personalidade da garota, e ele nem fazia idéia de como doía ver seu ídolo falando do jeito que ele estava com ela.
- Eu tô te tratando como eu trataria uma estranha, ou melhor, como eu trato meus primos de três aninhos de idade – ele ainda não olhava diretamente para ela.

- Que eu sou uma estranha pra você, tudo bem. Mas me tratar como criança? Por que você tá fazendo isso heim? Eu não perguntei nada antes, porque eu pensei que fosse o seu jeito, mas eu percebi que é só comigo que você é assim. Você me acha uma intrusa, é isso? Acha que eu sou mais uma fã tarada que tá esperando o momento ideal pra te agarrar? Ou então que eu sou de uma quadrilha e vou assaltar e depois matar vocês? É isso? – ela tentava se manter calma, mas estava sendo quase impossível vendo que ele ouvia tudo atentamente, mas não a olhava nos olhos.

- Eu não penso nada disso – ele disse calmamente.
- Então, por favor, me fala o que eu fiz de errado! – ela estava prestes a chorar
- Você não fez nada de errado, Blanco – ele falou virando para a tv.
- QUAL É O TEU PROBLEMA? Hein Aguiar? Cara, primeiro você me trata super bem, me faz sentir que a única pessoa que faltava me “aceitar” nessa família tinha gostado de mim e depois começa a falar desse jeito frio comigo! Eu realmente não entendo o que eu te fiz – ela falava rapidamente, Arthur pode perceber que as mãos da garota estavam tremendo.
- AGORA VOCÊ É A VÍTIMA? – ele levantou em um pulo e encarou os olhos da garota – Você é quem se fez de boazinha quando me conhece, super simpática, daí quando eu começo a gostar de você... Ah deixa pra lá! – disse um pouco mais calmo por ver a tristeza nos olhos da linda garota parada em sua frente.
- DO QUE VOCÊ TÁ FALANDO, PELO AMOR DE DEUS? TERMINA O QUE VOCÊ COMEÇOU A FALAR. DROGA! – nesse momento ela sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto.
- Não finge que você não fez, ou melhor, que não escreveu nada que possa ter me feito mudar.
- Escrever? Como assim? Você é doido? Eu não escr... – ela levou as mãos á boca, assustada. – Oh meu Deus, você leu aquilo? Era brincadeira, Arthur, eu juro – ela falava rapidamente olhando no fundo dos olhos azuis do garoto.
- Hahaha, faça-me rir, Blanco. Brincadeira? Odiar alguém não é brincadeira.
- Eu juro eu não queria escrever aquilo...
- MAS ESCREVEU!
- Mas eu escrevi brincando, merda! Se você não percebeu estava tudo em português e só aquela frase em inglês, por que você acha que eu fiz assim?
- Sei lá, você é maluca. Quer saber? Pra mim já chega, isso não faz diferença.
- Okay então. ESPERA! Que falta de educação ler AS MINHAS MENSAGENS! – ela desistiu de se desculpar, por algum motivo ela estava com vontade de brigar com ele.
- MAS O COMPUTADOR É MEU PIRRALHA!
- OLHA COMO FALA COMIGO AGUIAR!
- EU FALO DO JEITO QUE EU QUISER! EU ESTOU NA MINHA CASA! – ele berrava se aproximando de Lua, ele não sabia explicar o porquê de ler que ela o odiava tinha mexido tanto assim com ele.
- É, você tem toda a razão. Desculpe-me por gritar e peço que me perdoe ou pelo menos esqueça o que você leu, porque sinceramente não era o que eu queria escrever ou o que eu sentia – a garota disse quase num sussurro, estava prestes a chorar. Lua não era de chorar, mas aquela frase “... estou na minha casa...” machucou a garota, naquele momento ela só queria voltar para o Brasil e nunca mais ver ou ouvir falar sobre Arthur Aguiar.

Ele ficou sem reação por alguns segundos, vendo pequenas lágrimas escorrendo pelo rosto da garota e conseguiu ver que ela falava a verdade, e num momento de loucura a abraçou. Lua ficou estática ao sentir Arthur a abraçar, se na noite anterior ao sentir somente a mão dele em suas costas ela já tinha se sentido nas nuvens, imagine a sensação dela nesse momento? A garota não se moveu, não correspondeu ao abraço, ela simplesmente o sentia acariciar-lhe os cabelos e por fim sussurrar:

- Desculpa, eu não devia ter gritado, não faz nem 24 horas que a gente se conhece, não podemos começar uma ‘relação’ assim. E eu acredito em você, se você diz que era só uma brincadeira, tudo bem.
- Sério? – ela finalmente reage, perguntando em um sussurro tão baixinho que Arthur quase não escutou.
- Claro! Se você me odiasse não estaria aqui se derretendo toda por um simples abraço meu – ele diz em um misto de brincadeira e provocação.
- O QUÊ? – Lua o empurrou para longe – VOCÊ É UM IDIOTA AGUIAR! – ela diz e se afasta indo em direção à escada.
- Também te adoro, linda! – ele diz cínico. – E à propósito, vou pedir comida italiana! – informa a decisão à garota que já estava no andar de cima.

- Como eu pude ser fã, ou melhor, adorar um babaca desse tipo? Ai que ódio! – Lua falava sozinha (em português para Arthur não entender) em seu quarto. – Retardado. Quem ele pensa que é? Só porque é lindo, famoso, toca na melhor banda do mundo e tem um sorriso maravilhoso ele acha que já pode me tratar assim? Me derretendo pelo abraço dele! Ele só pode ser doido! Ele nem me conhece e já é cínico assim comigo? E por culpa dele eu não quero mais escrever meu livro de memórias! Eu tô com ódio desse computador! OMG! Eu chorei na frente dele! EU QUERO MORRER! Eu NUNCA choro na frente de ninguém, mas não, eu tinha que ser uma anta e chorar justo na frente dele. Ele deve achar que eu sou uma fraca, bobona que chora por tudo.

Arthur estava deitado no sofá esperando a comida chegar. Tinha um sorriso bobo no rosto, ela realmente não o odiava, e amou vê-la baixar a guarda, ela até chorou! Mas uma coisa ele não podia negar: ela conseguia tirá-lo do sério. Ele podia ouvir algumas palavras que ela gritava no andar de cima, e tinha certeza de que ela falava sozinha em português. A comida chegou e ele gritou avisando Lua.

- Que merda! Por que eu tenho que estar com tanta fome? Agora eu preciso ir lá embaixo. Dai-me paciência. Eu não vou brigar com ele. Eu vou fingir que ele não existe. Eu vou me controlar para não responder nada do que ele diga – ela ia falando baixinho em português até chegar na cozinha e se deparar com Arthur olhando para ela e sorrindo.

- Mania de falar sozinha? Eu faço isso às vezes – ele falava com ela como se nada tivesse acontecido. Lua nem olhou pra ele, foi até o armário e pegou um prato, mas tinha um problema: a comida estava bem em frente a Arthur.

- Com licença – ela disse simplesmente puxando o refratário para perto de si.
- Não!
- Como assim ‘não’?
- Não, eu não dou licença para você, Blanco.
- Aguiar, você é maluco? A gente nem se conhece direito, mas isso não impediu que nós tivéssemos um super briga, daí agora você vem e finge que nada aconteceu e que somos amiguinhos? – ela não podia acreditar na cara de inocente que ele fazia.
- Ah nanica, você fica tão lindinha quando tá brava, sabia? – ele disse se aproximando dela.
- Mudou a tática, foi? Agora vai tentar me seduzir? Lembre que sua mãe pediu para não me assustar ou traumatizar – ela falou ironicamente.
- Tática? Que tática? Não tem tática nenhuma, nanica – ele havia conseguido ‘prender’ Lua de costas para a pia e de frente para si próprio.
- PÁRA DE ME CHAMAR DE NANICA! – ela gritou no rosto dele, tentando sair daquela ‘posição’.
- Tá nervosinha, é? – ele falava sério enquanto colocava as mãos, uma de cada lado do corpo de Lua apoiadas na pia. Ele não sabia explicar, mas a vontade de provocar a garota era maior que a razão.
- Aguiar, me deixa sair! – ela suplicou, Lua não conseguia entender por que ele estava fazendo isso com ela.
- Pedágio!
- Quê?!
- Eu disse que você vai ter que pagar o pedágio pra sair daqui.
- Vai se ferrar, garoto!
- Eu posso ficar aqui o dia todo.
- Aguiar vai se fu... – ela não pode terminar de falar, Arthur havia lhe dado um selinho, mas ele se afasta rapidamente.
- Foi mal, esqueci que pedofilia é crime – ele diz com um sorriso nos lábios.
- IDIOTA! – Lua ficou possessa de raiva e num impulso deu uma joelhada entre as pernas de Arthur.
- AHHHHHHHHH! BLANCO! QUAL O TEU PROBLEMA, GAROTA? – ele gemeu de dor, vendo a garota sair sorridente da cozinha levando seu prato de comida.
- Agora estamos quites! ;)


 Capítulo 5.


Capítulo Cinco: “As Aparências Enganam”


 Gifs do capítulo: 


- Boa noite, filho – a Sra. Aguiar diz dando um beijo no topo da cabeça do filho que ainda estava na sala. – Como foi o seu dia?
- Tudo bem, a não ser que eu constatei que a Blanco é maluca.
- Arthur! Não fala assim dela, ela é um amor de pessoa.
- Um amor de pessoa maluca né?!
- Filho, pára de falar assim dela, vocês têm tudo para se darem super bem.
- Que seja! Mas que ela é maluca, ah isso ela é!
- Falando na Lua, onde ela está?
- No quarto dela, não saiu da frente do computador o dia todo.
- Mas ela não disse que ia fazer o trabalho de álgebra?
- Ela fez depois do almoço, logo depois de...
- TIA! – Lua chega a tempo de não deixar Arthur terminar a frase.
- Oi minha linda, tudo bem?
- Tudo. E aí, como foi no SPA?
- Maravilhoso, o lugar é perfeito. Da próxima vez eu levo você e a Julia junto.
- Eba! Eu vou adorar.
- O Arthur disse que você ficou o dia todo no computador, não ta esquecendo de usar os óculos para ler, né?
- Relaxa Tia, eu tô usando.
- Além de maluca ainda é quatro olhos – Arthur disse sem tirar os olhos da tv.
- Como se você fosse muito normal, né Aguiar?
- Crianças! Parem com isso! O que aconteceu com vocês dois enquanto eu estava fora? Que jeito é esse de um falar com o outro? – a Sra Aguiar disse sem entender o motivo dos olhares de segredo/raiva/provocação dos dois.
- Não aconteceu NADA Tia, né Aguiar?
- É mãe, tá tudo bem entre a Blanco e eu – ele disse dando um sorriso falso – e não se preocupe não aconteceu nada... A não ser o fato de que talvez você não tenha netos – o garoto disse a última frase em um sussurro.
- O que você disse, filho?
- Nada mãe, nada.


- Me conta tudo! – Lua falava animada quando Julia chegou em casa.
- Como eu pude pensar em não ir nesse encontro? Me fala – Julia disse sorrindo bobamente enquanto tirava a sandália e se sentava na cama de Lua. – Lu, o Billy é um fofo, eu tô encantada por ele. Ah e a Cath tá NAMORANDO o Edward, acredita?
- Wow! Eles são rápidos, heim?
- Pra você ver...
- E pela tua cara de boba apaixonada, me parece que logo logo você também terá um namorado né?
- Obrigada pelo “boba apaixonada”, sua coração de pedra!
- Eu não tenho coração de pedra, eu só não entendo o que leva pessoas a se casarem, por exemplo.
- Pessoas se casam porque se amam!
- Mas como elas podem saber que realmente amam uma pessoa a ponto estarem dispostas a passar o resto da vida com essa mesma pessoa?
- Quando se ama alguém você sabe que ama e ponto! Não precisa de certeza sobre nada! O amor não é assim!
- Ah, então quer dizer que se eu sentir uma mínima cosquinha no meu coração quando vejo um cara eu devo me casar com ele porque eu o amo?
- OMG! Garota, eu desisto! Como foi que viemos parar nesse assunto hein?
- Sei lá! – Lua finalizou o “diálogo” e as duas caíram no riso.
- Mas que um dia você vai amar alguém e vai admitir que estava errada, ah isso você vai... – Julia disse quando a amiga saiu do quarto.


Mais tarde naquela mesma noite...

- Vamos ver qual filme? – Julia perguntou olhando para Lua e Arthur, que estavam em sofás diferentes e evitavam se olhar.
- Star Wars! – Lua respondeu animadamente.
- A nanica, maluca e quatro olhos gosta de Star Wars? – Arthur falou fingindo estar impressionado. – Pelo menos tem bom gosto.
- Eu me recuso a revidar os ‘elogios’ feitos pelo teu irmão, Julia, mas quanto ao MEU bom gosto: eu realmente o tenho! – Lua dizia sem olhar para Arthur.
- Aposto que você só diz que gosta do filme porque acha o Luke Skywalker bonito – ele disse enquanto se virava para encarar Lua.
- Se tivesse apostado teria perdido. O Luke era bonito na época dele... Os três últimos episódios são antigos, esse Luke deve estar “caindo aos pedaços” hoje em dia. Eu admito que babo pelo Obi-Wan – Lua disse ainda deitada no sofá, porém olhando para Arthur.
- Olha, eu não sei o motivo da briguinha de vocês sobre Star Wars, mas eu preciso concordar com a Lu que o Obi-Wan é lindo – Julia disse em uma tentativa de conter os ânimos do irmão e da amiga.
- Viu só? Eu sabia! Vocês não gostam do filme pelo filme, vocês gostam por causa do atorzinho que só é bonitinho e nem atua tão bem assim! – Arthur disse em tom de deboche.
- BONITINHO? Você tá falando do Ewan McGregor! – Lua sentou-se no exato momento em que ouviu o garoto falar mal de um excelente ator. – Pode falar o que e de quem você quiser, mas falar que o Ewan não é bom ator? Faça-me o favor! Aposto que você gostava do Obi-Wan, só porque eu disse que gosto dele você resolveu implicar! – ela disse com raiva.
- Ewan, Ewan. Alguém lá sabe quem é Ewan? – Arthur sempre disse que o melhor personagem de Star Wars era Obi-Wan Kenobi, mas não iria se dar por vencido diante de Lua.
- Todo mundo sabe quem é Ewan McGregor! Quer ver só? – Lua disse sem acreditar na cara de pau de Arthur em dizer essas coisas. – Julia me fala três filmes do Ewan!
- Moulin Rouge, Alex Rider Contra o Tempo e Sra. Potter – Julia respondeu sem pensar muito.
- Aha! Viu só, Aguiar? O Ewan é famosão e só você não admite isso! – Lua dizia com um sorriso de triunfo nos lábios.
- Eu não disse que não admitia, eu só disse que vocês gostam do filme pelo ator – ele tentou disfarçar que ficara sem resposta.
- E eu disse que eu gosto do filme PELO filme, entende?
- Entendo.
- Chega de discussão?
- Sim.
- Podemos assistir em paz?
- Podemos.
- Bom garoto, assim que eu gosto.
- Você gosta de mim de qualquer jeito que eu sei.
- Aguiar, olha aqui... – Lua começou a dizer quando Julia a interrompeu:
- CHEGA VOCÊS DOIS! SE VOCÊS NÃO QUEREM ASSISTIR EU QUERO! QUE SACO!
- Não precisa gritar, maninha.
- Amiga sabia que estresse envelhece?
- Vocês dois me cansam, sabiam disso? E nós vamos assistir outro filme, pra evitar discussões – Julia disse enquanto se levantava para escolher outro filme na prateleira.
- Mas qual outro? – Arthur perguntou para a irmã.
- Tempo de Recomeçar ou A Espera de Um Milagre? – Julia perguntou mostrando os dvd’s.
- Ah Julia, só filme triste? – Lua disse fazendo careta.
- Eu não queria, mas preciso concordar com a criança aqui presente – Arthur disse apontando para Lua.
- Cala a boca garoto. E eu escolho Tempo de Recomeçar – Lua disse com um enorme sorriso nos lábios.
- Qual o motivo do sorriso, Lu? – Julia perguntou sem entender o porque da felicidade repentina da amiga.
- Porque nesse filme tem o meu ator preferido.
- Quem? – Julia e Arthur perguntaram ao tempo.
- Hayden Christensen! (n/a: e a autora baba. Quem acha o Den um tudo levanta a mão \o/) - Lua disse e Arthur pode ver os olhos da garota brilharem.
- Mas esse não é o Anakin Skywalker? – Julia perguntou para a amiga.
- É sim!
- Você é maluca? – Arthur perguntou para Lua. – Nós brigamos por causa o Ewan McGregor e agora você diz que prefere o ator que faz o Anakin?
- É. Em nenhum momento eu disse que o Obi-Wan era meu preferido, eu disse que babava por ele – a garota disse com cara de inocente.
- Então quer dizer que de qualquer jeito eu te aturaria falando que um ator é bonito? – Arthur disse fazendo cara de incrédulo.
- Arthur, até pareceu que você ta com ciúmes – Julia disse rindo do irmão.
- Ciúmes? De quem? Da anã? SONHA!
- Vai se ferrar, Aguiar! – a garota disse mostrando língua para ele. – E sim, de todos os jeitos você teria que me aturar falando “ah eu aaaaaamo o Hayden!” sabe? – Lua fez uma voz afetada para irritar o garoto.
- Ninguém merece!
- Ninguém merece vocês dois! – Julia finalmente se pronunciou – Até parecem um casal!
- Deus que me livre! – Lua disse e fez o sinal da cruz.
- Quem desdenha quer comprar, sabia Blanco? – Arthur disse de um jeito malicioso.
- Eu desdenho meeeeesmo porque tenho certeza de que se for pra ter você eu não ia querer nem de graça!
- Por favor, vocês podem parar de brigar? – Julia fez cara de cansada.
- Por você eu paro amiga.
- Ok eu também paro – Arthur disse enquanto deitava-se no sofá. – Mas que você tem cara de que só assiste um filme pelo ator, ah isso você tem!
- As aparências enganam “lindinho” – Lua disse mostrando língua.

- Boa noite, Lu!
- Você quer dizer boa madrugada, né? São 3:15 a.m. A gente nem viu as horas passarem tão rápido. Ainda bem que amanhã, ou hoje sei lá, é domingo.
- Viu só? Quando você e o Arthur param de brigar as horas voam.
- Eu me recuso a comentar.
- Mas agora é sério: por que vocês brigam tanto? Mamãe e eu tínhamos certeza de que vocês iam se adorar, vocês tem tanto em comum.
- Ah Julia sei lá. Eu não sei o que aconteceu pra gente brigar o tempo todo.
- Não sei se fui só eu quem reparou isso, mas vocês não brigam de verdade, tem um tom de gracinha em vocês.
- Sério?
- É! Vocês brigam meio que achando graça em brigar.
- Realmente. Eu acho que nunca vou conseguir brigar de verdade com o teu irmão.
- Jura? Por quê?
- Se eu te contar uma coisa você promete que não vai gritar, não vai contar pra ninguém e principalmente: vai esquecer que eu te disse isso?
- Prometo!
- Eusoufãdoteuirmão.
- Quê? Não entendi nada!
- Eu sou fã do teu irmão, entendeu?
- OMG! Tá brincando né?
- Não tô não, é verdade. Eu sou fã do McFly, e o meu preferido é o teu irmão.
- Cara, eu não posso acreditar nisso! Como uma fã pode ficar na mesma casa que o ídolo e não fazer nada?! Isso é inacreditável! Você não demonstra NADA quando está perto dele. Quem os vê brigando pode pensar que vocês são irmãos, namorados ou qualquer coisa, menos ídolo e fã!
- Eu posso ser atriz né? - Lua riu.
- Concordo! Você disse na cara dele que não o queria nem de graça, e pareceu tão real. Mas por que você não disse nada antes?
- Porque eu não quero ser tratada como uma fã maluca que quer arrancar as calças dele, sabe?
- Ah sei, mas imagina só: se você tivesse falado antes a situação de vocês poderia ser diferente né?
- É, ele poderia chegar no café da manhã e dizer “bom dia Lua, quer um autógrafo? O último que eu te dei foi ontem à noite”, seria lindo né? – a garota disse imitando a voz de Arthur.
- Ah Lu, ele não faria isso. Ele te trataria como...
- Uma fã! E eu não quero ser uma fã do McFly ou dele, eu quero ser a sua amiga, a sobrinha postiça da tua mãe e a garota que NÃO briga o tempo todo com o Aguiar, sabe?
- Ah Lu... Eu nem sei o que dizer. Eu só te afirmo uma coisa: vocês não se dão bem porque gostam de brigar!
- Você é maluca! Eu não gosto de brigar com ele!
- Então por que você cisma em chamá-lo de Aguiar e não de Arthur? Eu respondo: pra tentar parecer fria e começar uma briga!
- Não tem NADA a ver! Eu o chamo assim porque ELE me chama de Blanco, ok?
- Vou fingir que acredito.
- Eu desisto!
- Ó que lindinha! Ficou com biquinho!
- Pára sua chata!
- Linda!
- Feia!
- Boneca!
- Macaca!
- Princesa!
- Sapa!
- Sapa? Essa é nova hein Lu?
- Haha, é de minha autoria!
- Percebi. Boa noite morango!
- Boa noite ameixa!

- Eu só posso ser maluco mesmo! – Arthur sussurrava para si mesmo enquanto abaixava ao lado da cama de Lua. Fazia quase uma hora desde que eles tinham ido dormir, mas ele estava sem sono – “Mas eu precisava ver se ela baba enquanto dorme, seria uma ‘arma’ contra ela na próxima discussão” – ele pensou. – “Droga! Ela não baba! Mas preciso admitir que parece um anjinho dormindo, carinha de indefesa, só dormindo mesmo porque acordada tá mais pra endiabrada! Que garota nervosa!” – ele pensava ao observar todos os traços delicados do rosto da garota – “Cara ela é muito bonita. Pena que é novinha demais. Apesar de que a idade não diz nada.

Mas ela deve ser como todas as amigas da minha irmã: crianças! Tudo bem que a Julia é madura e talz, mas as amigas dela são muito bestinhas”. – o garoto não pôde evitar tocar o rosto de Lua com as pontas dos dedos – “O que eu tô fazendo? E se ela acorda e me pega no quarto dela? Epa! Isso soou meio pervertido! ‘me pega no quarto dela...’ Hahaha... já imaginou... Eu PRECISO parar de ter esse tipo de pensamento sobre ela” – Arthur estava tão absorto em pensamentos e nas carícias nos belos cabelos da garota que não reparou que ela havia se mexido e agora estava virada de lado na cama, e, conseqüentemente, de frente pra ele.

- Arthur? – ela perguntou em um sussurro sonolento e ele pôde perceber que ela estava mais dormindo do que acordada.
- Shiii, dorme de novo ok? – ele não deixou de sorrir ao ouvi-la dizer ‘Arthur’ ao invés de ‘Aguiar’ como estava acostumado escutá-la dizer, e tirou alguns fios de cabelo que caíram sobre a face de Lua.
- O que você tá fazendo aqui? – ela disse bem baixinho sem abrir os olhos.
- Vim te ver – ele disse no mesmo tom, “cara! como eu sou cara de pau!” Arthur pensou.
- Mas eu pensei que você me odiasse.
- Como você mesma disse: as aparências enganam.
- Que bom.
- Dorme bem tá? – ele disse de um jeito carinhoso.
- Huhum – ela fez uma cara que Arthur julgou como “fofa” e se aconchegou mais na cama.
- Tchau – ele disse bem perto do rosto da garota.
- Tchau – Lua continuava de olhos fechados, e mesmo que estivesse praticamente dormindo, ela podia sentir a respiração de Arthur bater em seu rosto, e pôde também sentir quando ele lhe deu um rápido selinho. Então, ouviu uma leve batida de porta e em seguida adormeceu completamente.


Continua..

( Nossa genteee, Como esse capítulo foi grande né? Pois é, é pra compensar do tempo que eu não estava postando, o Próximo capítulo posto daqui a pouco, Oks? )




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